quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Microsoft, Yahoo e Amazon se unem contra o Google

Microsoft, Yahoo e Amazon planejam se unir a empresas, entidades sem fins lucrativos e livrarias para se oporem ao acordo do Google com as editoras e autores sobre a digitalização de livros impressos e outros materiais provenientes de acervos de diversas bibliotecas importantes norte-americanas para veiculá-los na internet, no seu serviço Google Books, a maior biblioteca virtual do mundo.

De acordo com o jornal New York Times, o grupo, que se chamará Open Book Alliance, será liderado pelo advogado especializado em ações antitruste Gary Reback e pela organização sem fins lucrativos Internet Archive.

O grupo pretende formalizar uma ação no Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) alegando que o acordo entre as editoras e o site de buscas é anticompetitivo. De acordo com Reback, algumas organizações que representam autores também estão interessadas em fazer parte da Internet Archive.

A Microsoft e o Yahoo confirmaram o interesse no grupo, mas a Amazon se recusou a comentar o assunto. O CEO do site de vendas on-line, Jeffrey Bezos, criticou o acordo em entrevista concedida ao jornal americano no início de junho deste ano.

O acordo entre o Google e associações de autores e editoras foi fechado em outubro do ano passado e desde então o DOJ o está investigando (veja mais informações em "links relacionados" abaixo). As partes envolvidas no acordo declararam que ele foi feito para o bem público, já que vai facilitar o acesso das pessoas aos livros. Reback acredita que o acerto trará consequências negativas inimagináveis e imprevisíveis para o setor.

Fonte: http://www.tiinside.com.br/News.aspx?ID=143675&C=265

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Apenas 3% da população com mais de 60 anos têm o hábito da leitura

O incentivo à leitura no Brasil vem recebendo cada vez mais atenção do governo, de empresas e de instituições que acreditam na construção de um país mais desenvolvido por meio do hábito da leitura. Porém, o quadro de brasileiros que leem com frequência não é muito animador, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos, que, apesar de estarem com a vida mais tranquila, em sua grande maioria, não ocupam o tempo livre com a leitura.De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró- Livro, a maior parcela de não- leitores está entre os adultos de 30 a 39 anos, somando 15% dos entrevistados. De 40 a 49, também 15%; 50 a 59, 13%, e 60 a 69, 11%. Esse número diminui de acordo com a renda familiar e classe social, o que reforça que o poder aquisitivo é significativo para a constituição de leitores assíduos.A pesquisa foi realizada com 92% da população, a partir dos 5 anos de idade. Desse número, apenas 3% de leitores têm mais de 60 anos, e a maioria da população leitora do país é de mulheres: 55%. A dona de casa Reni de Souza Cardoso faz parte dessas estatísticas. Aos 64 anos, ela afirma que não tem muita paciência para a leitura. "Eu recebo revistas na minha casa, abro dou uma lidinha e já perco a paciência, então deixo para lá", explica. Apesar de saber a importância da leitura, Reni atribui a falta de interesse ao dia tumultuado e aos afazeres domésticos. "Não leio por falta de tempo, mesmo porque livro tem bastante aqui. Eu faço o serviço de casa, lavo e passo, cuido dos netos. Como a gente levanta bem de manhã e trabalha o dia todo, à noite não tem ânimo de ler, deita no sofá e já cochila", diz.Já para Geni Cerviglieri Valêncio, de 65 anos, ler não é uma das atividades preferidas. "Leio só meus livros de igreja. Quando vou na " Via Sacra", ajudo na leitura, mas ler outras coisas é bem raro. No meu tempo livre, prefiro assistir minha novela, ou ir para casa das minhas filhas. Quando a idade vai chegando, a gente vai ficando sem paciência, sem concentração. Quando a gente envelhece tudo muda", afirma.Mudando a história- Foi pela da vontade de levar o prazer da leitura até a terceira idade que surgiu o projeto Leitura na Melhor Idade, com objetivo de desenvolver e exercitar a mente, viajar, sonhar e até mesmo relembrar a infância e a juventude por meio das palavras. "Lemos para eles poesias, contos, provérbios, parábolas, trechos bíblicos, letras de músicas, que até cantamos juntos. Intercalamos diversos tipos de leitura e usamos várias metodologias, inclusive as mesmas que utilizamos com crianças, e conseguimos atingir os mesmos resultados através de risos e alegria demonstrada por eles", conta a professora Maria EdilmaTravensoli Silveira, fundadora do projeto.Este projeto vem sendo desenvolvido desde março de 2006 no Lar das Vovozinhas Balbina Branco, em Ponta Grossa, no Paraná. A entidade abriga 52 idosas e um idoso com mais de 50 anos, entre eles alguns com dificuldades auditivas, visuais e de locomoção. Segundo Maria Edilma, com o decorrer do tempo pode- se notar o desenvolvimento mental através da participação em interpretação e entendimento da leitura ouvida pelos idosos, que, no início, eram apáticos e quase nunca correspondiam às expectativas. "Atualmente sentimos uma participação de pelos menos 80% dos presentes nos debates feitos. Conseguem se concentrar e ouvir atentamente as leituras e entender, até mesmo interpretar, exemplificar e fazer relações com suas experiências de vida", relata.O sentimento, de acordo com a professora, é de muita gratificação. "Sentimos que este trabalho tem sido muito importante para estes idosos, porque eles estão exercitando a mente de maneira prazerosa. Essa atividade permite que eles saiam da monotonia e assim ocupem o tempo de maneira agradável". Outro projeto que vem ajudando a difundir a leitura entre a terceira idade é o Leitura não tem Idade, idealizado pelo escritor Laé de Souza, aplicado em parceria com grupos de terceira idade. De acordo com o escritor, os grupos informam o número de participantes e então é enviado um exemplar da obra Nos Bastidores do Cotidiano, de Laé de Souza, e um questionário para cada participante. Quem responde recebe outra obra. O projeto é gratuito, não tem patrocínio e é destinado a grupos de terceira idade de todo o país.Em 2008 participaram 37 grupos. A resposta tem sido excelente e temos recebido manifestação dos participantes sobre a satisfação de ter participado do projeto¿, comemora. Um dos grupos que fazem parte do projeto de Laé de Souza desde 2008 fica em Jaguariúna- SP. Os alunos integram o projeto Bem Me Quer, da Faculdade de Jaguariúna, onde é desenvolvido o projeto, juntamente com aulas de informática, de idiomas, dança e outras atividades.Segundo a bibliotecária Maria Regina Trevisan Bacarelli, responsável pelo projeto, o principal objetivo desse trabalho é desenvolver as habilidades por meio da leitura de livros específicos e de entretenimento e desenvolver a oratória, além do enriquecimento intelectual. "Esperamos que através da leitura possamos proporcionar aos participantes o resgate de suas próprias experiências e necessidades. Uma terapia ocupacional através da leitura", diz. Gláucio Jair Russo, de 62 anos, que participa ativamente do projeto, elogia. "Os organizadores foram geniais em apresentar um projeto inédito em nossa cidade e principalmente em nossa faculdade. Com isso, poderemos apreciar a leitura de mais livros, já que hoje a terceira idade não tem acesso com muita facilidade. O livro fornecido pelo projeto do autor Laé de Souza foi o primeiro que eu tive o prazer de ler e gostaria de receber mais alguns", solicita. Benedito Oscar Medeia, de 72 anos, também está satisfeito com os rumos do projeto. "Se os brasileiros se dedicassem mais à leitura, principalmente os jovens, não teríamos tantas desventuras", afirma.
Fonte: Associação dos Jornais do Interior de SC - http://www.adjorisc.com.br/noticias/index.phtml?id_conteudo=208070

sábado, 1 de agosto de 2009

Concorrência beneficia usuários de internet

Paul Taylor, Do New York Times - Folha de S. Paulo
Já que o nome do Google virou sinônimo de serviço de busca, poderia parecer uma ousadia tola, ou até mesmo uma futilidade, que um rival tente superá-loJustificar -ainda que esse rival seja a Microsoft. Mesmo assim, é exatamente isso que a maior produtora mundial de software está tentando fazer com o Bing, seu novo serviço de busca.
O Bing foi projetado de maneira a superar as limitações de seu predecessor, o Live Search, e apresentar resultados de busca superiores aos dos concorrentes da Microsoft, entre os quais o Google. A maneira pela qual tenta realizar essa missão é a introdução de uma nova e elegante interface e de uma série de recursos, como o Explorer Pane, que ajudam a definir o Bing e a distingui-lo dos rivais. O Explorer Pane se baseia em tecnologia sensível a contexto.
Por exemplo, se eu escrevo "Canon Digital Rebel" no campo de busca, o Bing tenta prever a informação que estou realmente procurando e abre tabs separadas para compras, reparos e um manual do usuário. Como na mais recente versão do buscador Yahoo!, os criadores do Bing também tentaram se afastar da lista de links que caracteriza a busca do Google e pode não incluir a informação procurada. O Bing tenta melhorar esse aspecto do processo ao incluir um recurso de destaque que revela parte do texto do site localizado quando o usuário passa o cursor por sobre o link.
Ao longo de todo o projeto de busca, os criadores do Bing também tentaram colocar em destaque a informação pela qual o usuário mais provavelmente está procurando. Por exemplo, se a busca foi por "Fedex", o primeiro resultado incluirá um link para o serviço de rastreamento on-line de pacotes da FedEx. Um dos meus recursos favoritos é o sistema reforçado de buscas de vídeo e imagens. O modelo do Bing permite que os usuários procurem por conteúdo em vídeo de provedores específicos. Além disso, os resultados de buscas por vídeos exibem pequenas imagens de tela que se movimentam quando o cursor passa sobre elas.
O outro grande avanço do Bing, e talvez o mais atraente deles, é a introdução de categorias especializadas de buscas para compras e viagens, que podem ser utilizadas diretamente de sua home page. Se o usuário procura por um determinado produto eletrônico, por exemplo, os resultados incluirão comparações de preço, resenhas de usuários recolhidas de diversas fontes na web e outras informações úteis.
O recurso de buscas para viagens é especialmente impressionante, e inclui uma das melhores ferramentas on-line que já vi para comparar preços de passagens aéreas. Em termos gerais, considero que o Bing seja um considerável passo à frente com relação ao Live Search da Microsoft e aos produtos concorrentes do Google e Yahoo!.
O Bing talvez ainda não seja capaz de concorrer de igual para igual com o poderio do Google, mas adota uma abordagem nova que pode atrair os usuários gerais, que talvez não tenham experiência em buscas e encontrem dificuldades para procurar entre inúmeros links. Mesmo que o Bing não seja capaz de reduzir a imensa participação de mercado do Google -que no mês passado detinha 82% do mercado mundial e 65% do mercado norte-americano de buscas-, os usuários da internet devem sair beneficiados dessa batalha.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não sou, gostaria de ser, mas arrisco ser

Minha amiga Paula me convidou para participar de uma brincadeira muito interessante: falar de cinco coisas que eu não sou, gostaria de ser, mas arrisco ser. Um exercício muito legal, que me refletir sobre o assunto:

Dominação de vários idiomas: eu tenho muita vontade de aprender outras línguas, por enquanto somente "arranho" no inglês e no espanhol!
Mestranda: pretendo ser mestre em alguma coisa! eu ainda não defini minha linha de pesquisa mas, minha meta é para o ano que vem já que este ano termino a especialização.
Professora de dança (salão e ventre): por enquanto sou aluna, daqui algum tempo quem sabe poderei dar aulas!
Funcionária pública: gostaria muito de passar em um concurso público, mas preciso estudar muito e ultimamente não tenho tido tempo.
Viajada: gostaria de poder viajar bastante, adquirir experiências em diversas culturas e lugares. Quando posso saio por aí, mas ainda é pouco!!

Para continuar indico:

Era digital transforma bibliotecas

Em um mundo que cada vez mais troca o papel pelos pixels, as bibliotecas estão se recriando. Estão se transformando em centros comunitários e em bancos de empregos. Começam a realizar empréstimos de publicações por via eletrônica, e estão divulgando seus serviços de uma maneira que representa um desafio às livrarias comerciais, as quais agora precisarão encontrar maneiras novas de manter a competitividade. E estão até mesmo oferecendo aos visitantes a oportunidade de entrar só para jogar videogames.Embora a reputação que as bibliotecas continuam a manter como centrais de conhecimento característico da era do livro continue intacta, existem modelos mais novos- modelos que giram em torno de uma experiência mais próxima ao mundo do consumo- que começam a ganhar espaço no mundo da biblioteconomia.Da mesma maneira que algumas empresas incorporaram a suas operações uma abordagem mais colaborativa, integrando sugestões de funcionários e pedidos de clientes, as bibliotecas também evoluíram de acordo com as influências práticas que recebem. Incorporando novos recursos tecnológicos, elas estão transformando o fluxo de informações que se desenvolve entre a instituição e os usuários em uma via de duas mãos. O serviço que prestam se tornou mais interativo e ganhou um foco muito mais variado do que costumava acontecer no passado.Algumas dessas ofertas podem ser motivo de surpresa e outras não, mas de qualquer maneira gostaríamos de convidá- lo para verificar por si mesmo o que está acontecendo nesse setor.Serviços de downloadQual é a novidade: a biblioteca local "digital".De que se trata: Recursos e serviços de biblioteca disponíveis online, e acessíveis a qualquer usuário por meio de um cartão de biblioteca.Quem estaria interessado: As pessoas que desejem obter materiais e/ou recursos de uma biblioteca sem precisar sair de casa.Onde se pode encontrar: A maioria das bibliotecas oferece muitos elementos de serviço digital. Consulte a sua biblioteca local para se informar melhor.Na maioria dos casos, só são necessários uma conexão de internet e um cartão de biblioteca válido.Caso você deseje ler um livro, pode baixá- lo e lê- lo em seu computador. Se preferir um audiobook, não há problema. Pode baixar um título digital em formato WMA ou MP3, ou carregar arquivos de áudio para um CD. Para quem desejar assistir a um filme, downloads também são possíveis. Algumas bibliotecas permitem até mesmo o download de certos arquivos de música.Esses downloads digitais expiram automaticamente (e avisam o usuário de que deve eliminar os arquivos em sua máquina para evitar o pagamento de multas por atraso na devolução). Recursos de negóciosQual é a novidade: Apoio e informações para empresas.De que se trata: Acesso a ferramentas de pesquisa de negócios de alto nível e a materiais especializados de referência para empresas.Quem estaria interessado: Todos aqueles que estiverem se preparando para abrir uma empresa, ou que estejam tentando promover o crescimento de suas companhias; também, pessoas interessadas em pesquisas de negócios.Onde se pode encontrar: A maior parte das grandes bibliotecas municipais e das bibliotecas centrais de distritos oferecem acesso a muitos bancos de dados de negócios. Muitas bibliotecas de menor porte e filiais de grandes bibliotecas oferecem o mesmo tipo de serviço. Verifique se estão disponíveis na biblioteca mais próxima de sua localização.Detalhes: Por exemplo, a Biblioteca Pública de Denver oferece o BizBoost, um serviço de assistência para a pesquisa de soluções de negócios. Os especialistas em materiais de referência empresariais que trabalham para o serviço podem ajudar a responder questões de negócios ou demonstrar de que maneira um usuário pode empregar os poderosos bancos de dados de negócios disponíveis, a exemplo do ReferenceUSA- o qual permite que os usuários descubram, por exemplo, o número de consultores publicitários que trabalham de escritórios caseiros em um determinado código postal, ou quantas empresas de varejo estão localizadas em uma determinada área geográfica e têm, ao mesmo tempo, 10 ou menos funcionários, um endereço de e- mail e pelo menos uma executiva mulher.O BusinessDecision é outro pacote de banco de dados de alta qualidade, capaz de executar análises sofisticadas como a identificação de padrões de consumo em base domiciliar, selecionar uma combinação de táticas de marketing, analisar concorrentes e descobrir como direcionar campanhas de mala direta. Esses e outros bancos de dados podem ser utilizados por acesso remoto de qualquer computador instalado na biblioteca, por usuários que disponham de cartões de biblioteca válidos.Verifique o site de sua biblioteca local para descobrir que recursos estão disponíveis em sua área, ou use seu acesso para utilizar os serviços mencionados acima.Compras gratuitasQual é a novidade: O novo modelo de biblioteca "de varejo" ou "livraria ".De que se trata: Uma biblioteca cuja disposição física, estoque e serviços se assemelham aos oferecidos por uma livraria.Quem estaria interessado: As pessoas que gostam de best sellers e de livros de lançamento recente, aquelas que apreciam a atmosfera de uma boa livraria ou aquelas que acreditam que a combinação entre livros e café é deliciosa.Onde se pode encontrar: Muitos distritos de bibliotecas em grandes áreas metropolitanas e serviços de bibliotecas municipais que foram projetados de acordo com esse modelo.Detalhes: Muitas vezes localizadas em ou perto de grandes centros de varejo, as bibliotecas construídas no "modelo livraria" contam com forte acervo de livros, discos e DVDs novos. Nessas bibliotecas, o clima jovem é evidente, e não se vê muita poeira e mofo. Cópias múltiplas de best sellers estão expostas em estantes de visual atraente, da mesma maneira que um usuário encontraria em uma livraria. Todos os materiais são gratuitos e, para as pessoas que têm forte necessidade de cafeína, o modelo muitas vezes inclui cafés instalados como parte da biblioteca.Procure um empregoQual é a novidade: Informações sobre empregos e carreiras.De que se trata: Assistência na preparação de currículos, informação sobre empregos, testes preparatórios.Quem estaria interessado: Qualquer pessoa que esteja procurando emprego ou interessada em mudar de carreira.Onde se pode encontrar: Na biblioteca pública mais próxima de sua casa, ou no site dela.Detalhes: Em meio a uma recessão como a atual, a busca de empregos, e a assistência para preparar currículos e aos estudos para testes educacionais e de emprego se tornaram necessidade para número cada vez maior de pessoas. Aulas, testes, oportunidades de emprego e links para sites de emprego estão disponíveis gratuitamente na maior parte das bibliotecas públicas. Monnie Nilsson- The New York TimesTradução: Paulo Migliacci ME

Comentário da bloger:
Essa realidade e esses tipos de serviços acontecem de forma natural nos EUA, infelizmente no nosso país ainda precisamos caminhar mais longe para alcançar essa realidade!

Beijos

terça-feira, 16 de junho de 2009

O homem que queimava livros

É quase impossível interromper a leitura de A Biblioteca Esquecida de Hitler, do historiador inglês Timothy W. Ryback. Envolvente, o livro (Cia das Letras, tradução de Ivo Korytowski, 328 páginas, R$ 46) não é uma história do nazismo alemão, mas quase. Ryback conta como Adolf Hitler, um homem mais conhecido por queimar que por ler livros, reuniu 16 mil volumes numa coleção com todos os clássicos da literatura, da filosofia e, infelizmente, ensaios racistas que o influenciaram e o conduziram à direção da Alemanha. Entre eles um do industrial norte- americano Henry Ford, O Judeu Internacional, fonte de inspiração para o autobiográfico Mein Kampf do ditador.Ryback passou oito anos pesquisando a vida de Hitler e entrevistando amigos íntimos, como a cineasta Leni Riefenstahl (1902- 2003) e a secretária do Fuhrer, Traudl Junge (1920- 2002), além de seus parentes, até descobrir que a Biblioteca do Congresso em Washington havia herdado parte do que restou da sua coleção de livros. Sobre as leituras do ditador, Ryback falou por telefone, de Paris, onde reside.Pergunta¿ É possível fazer uma leitura de Adolf Hitler por meio de sua biblioteca? Timothy W. Ryback- A biblioteca de Hitler tinha desde primeiras edições de obras de filósofos a grandes clássicos como Dom Quixote. Creio que o livro de Cervantes pode dar uma ideia aproximada de sua personalidade, não pelo lado positivo, é claro, mas por tratar de um homem perseguido por uma obsessão. O historiador Ian Kershaw o descreve como uma personalidade enigmática. Concordo. Sei que é difícil ver traços de Quixote em alguém como ele, uma vez que o personagem de Cervantes é nobre, enquanto Hitler é a encarnação do Mal. Em todo o caso, Quixote provocou grande impacto sobre o jovem Hitler, que via seu idealismo como um possível modelo para conquistar o mundo. Dos personagens reais, aquele que invocou com mais frequência foi Henry Ford, autor do livro que marcaria a vida de Hitler para sempre, O Judeu Internacional, manifesto racista inspirador de Mein Kampf (Minha Luta, a autobiografia de Hitler). Ford foi o norte de Hitler, que conservava um retrato do industrial americano na parede de seu escritório e o venerava como o ideal do self- made man reconhecendo- se nele pelo mesmo motivo.Pergunta: O Judeu Internacional (The International Jew: The World's Foremost Problem, diatribe que culpa os judeus por tudo o que há de ruim no mundo) pode ser considerado a fonte de Mein Kampf ao lado de Um Perfil Racial do Povo Alemão, de Hans F. K. Gnter, como o senhor mesmo observa. Esse parentesco é só ideológico, uma vez que se trata de um trio de fanáticos antissemitas, ou também formal Ryback. O livro de Henry Ford é, efetivamente, o inspirador de Mein Kampf, descontados os lances autobiográficos do último. Hitler acreditava no que dizia Ford a respeito dos EUA, para ele um país ameaçado por uma "conspiração judaico- comunista" para dominar o mundo. Vale lembrar que o livro de Ford, antissemita ultraconservador, é uma compilação de artigos publicados originalmente num periódico da Ford Motor Co. (The Dearborn Independent) e que o próprio Ford é citado por Hitler como um modelo a ser seguido. Ele gostou tanto do que Ford disse a respeito da Alemanha, de que era o país mais ameaçado pela "conspiração" judaica, que o citava a todo momento, embora seja difícil identificar seu estilo em Mein Kampf, especialmente porque a autobiografia de Hitler é um atestado de ignorância ortográfica. Identifiquei erros de alemão no manuscrito que pesquisei. Pergunta: Quantos livros o senhor pesquisou na Biblioteca do Congresso em Washington? Ryback- O que restou da biblioteca particular de Hitler são 1.2 mil livros de suas três bibliotecas particulares de Berlim, Munique e Obersalzberg. Eles estão agora num depósito mal- iluminado, mas climatizado. Comecei a pesquisa em 2001 e descobri que nem a metade desses volumes estava catalogada, sendo que apenas duas centenas estão disponíveis online. Selecionei os que me pareceram mais representativos ou os que pareciam ter marcado definitivamente Hitler, como Cartas Alemãs, de Paul Lagarde, publicado em 1934, ensaios que defendem a remoção da população judaica da Europa. Nele, Hitler faz anotações a lápis, sublinhando trechos com os quais se identificava. Tive o cuidado de evitar especulações sobre ele e selecionei títulos que explicassem o contexto em que esses livros foram lidos. Walter Benjamin dizia que os livros preservam o colecionador e, no caso de Hitler, é perfeitamente visível a influência de alguns autores em ações políticas desenvolvidas pelo Fuhrer. Um dos mais surpreendentes exemplos é o livro de Sven Hedin, Amerika im Kampf der Kontinente (Os EUA na Luta dos Continentes), cujo exemplar desapareceu, mas que é citado numa carta ao autor em 1942. Hitler o leu como o livro que ficaria para a posteridade sobre a genealogia da guerra que deflagrou. Naquele mesmo ano, seu império começou a desabar.Pergunta¿ Um dos mais respeitados biógrafos de Hitler, Ian Kershaw, reconheceu que sabemos ainda pouco sobre esse homem. O senhor, que entrevistou a secretária do ditador, Traudl Junge, sua cineasta favorita, Leni Riefenstahl, e parentes de Hitler, o que diria deles? A falta de sentimento de culpa é um traço genético da família de Adolf Hitler? Ryback- Não sei. Os seres humanos têm às vezes personalidades tão semelhantes que fica difícil distinguir um do outro. Devo dizer que me senti bastante desconfortável quando fui bater numa casa de subúrbio de Long Island à procura de seus parentes e ainda mais desconfortável quando notei a semelhança física de alguns deles com Hitler. Foi por causa de um artigo para a New Yorker, para o qual entrevistei uma parente sua austríaca, que cheguei a esta conclusão: seus familiares não nutrem o mínimo sentimento de culpa pelo que aconteceu na Europa durante a guerra. Hitler, por sua vez, dizia estar cercado por idiotas na família e é certo que um irmão seu administrava um pequeno café em Berlim enquanto o Fuhrer conquistava a Europa. Ou seja, ele não parecia ter consideração pelo irmão nem se mostrou disposto a ajudá- lo. Uma fonte muito útil na elaboração do livro foi a secretária particular de Hitler, Traudl Junge (de 1942 a 1945). Ela me contou como ele lia obsessivamente e se preocupava com sua vida espiritual, a ponto de acreditar na existência de um ser superior. Ela foi uma das últimas pessoas a ver o ditador vivo. Almoçou com ele e Eva Braun antes do suicídio de Hitler. Evitei reforçar essas histórias para não alimentar certo voyeurismo que arruina a credibilidade de muitos livros.Grupo Estado¿ Como o senhor explica que, sendo Hitler um bibliófilo, tenha patrocinado bárbaras investidas contra livros, a ponto de queimá- los? Afinal, acreditamos que nos tornamos melhores porque lemos, e esse não parece ter sido o caso do ditador. Ryback: É uma grande ironia que Hitler tenha subvertido essa máxima. Voltando um pouco a Walter Benjamin, que defendia sermos o resultado dos livros que lemos e também dos que não lemos, devo dizer que Hitler deve ter lido sem ter compreendido alguns filósofos que dizem ter feito sua cabeça, como Schopenhauer, Fichte ou Nietzsche. Posso seguramente afirmar que ele fez uma leitura superficial de tais pensadores. Ele entendia mais as diatribes de Henry Ford e Madison Grant. O que choca justamente é que ele se interessava apenas pela instrumentalização da filosofia, aproveitando as ideias nacionalistas de Fichte, cujos livros, encadernados com letras em folha de ouro, foram apresentados a Hitler por Leni Riefenstahl. Isso sempre me intrigou. Por que Leni Riefenstahl teria escolhido um filósofo do século 19 Nem ela mesma se lembrou quando a entrevistei. Sabia apenas que foi um presente ao Fuhrer em 1933. De qualquer modo, encontrei um único volume de Schopenhauer e outro de Nietzsche entre os livros que restaram de sua biblioteca. Ela lembra de ter ouvido de Hitler que ele não conseguia aproveitar muito do que Nietzsche escrevera.

domingo, 31 de maio de 2009

DICA DE LEITURA!!!

Pessoal,

Estou lendo "A nova desordem digital" de David Weinberger.
Um resuminho do livro:

"Os seres humanos são ávidos por informações: coletamos, etiquetamos e organizamos dados o tempo todo. Hoje, a mudança do mundo físico para o digital está virando nossas vidas de cabeça para baixo. No passado, tudo tinha seu devido lugar- o mundo físico exigia isso -, mas agora tudo tem diversos lugares: várias categorias, inúmeras prateleiras. De repente tudo virou uma miscelânea."

O autor fala de Dewey e dos bibliotecários, da ordem e da desrodem digital!!!

Estou gostando, quando acabar conto mais detalhes!!

[]´s Carol